Aplicativo mapeia soluções para problemas públicos

por Patrícia Gomes

aplicativoO Instituto Tellus apresenta hoje o Inspire, um aplicativo gratuito para celulares e tablets que permite o mapeamento de soluções encontradas para problemas públicos nas cidades. Vale um projeto que ajude na mobilidade urbana, um sistema de compartilhamento de carona, um site que mostre horários de funcionamento dos postos de saúde ou qualquer iniciativa que seja capaz de inspirar ações de gestores públicos para criar novos serviços para os cidadãos ou melhorar os que já existem.

Funciona assim: a pessoa que cruzar com uma boa ideia na rua, numa escola, numa praça, num hospital ou em qualquer outro lugar, se cadastra no aplicativo, tira uma foto e faz uma pequena descrição do que encontrou, preenchendo os dados de um formulário, e envia para o Tellus. São quatro as categorias possíveis para catálogo – educação, saúde, cidades e meio ambiente. O caso inspirador ficará registrado e geolocalizado no app e qualquer usuário poderá comentar, curtir e compartilhar nas redes sociais. O aplicativo, que só poderá ser baixado em agosto, é financiado pelo Banco Mundial por meio do Youth Innovation Fund.

Enquanto a ferramenta ainda não está disponível, já é possível acessar alguns dos cem casos que comporão o banco de dados do aplicativo pelo portal Tellus Inspira. Há iniciativas espalhadas não só pelo Brasil, mas em todo o mundo, com projetos em países como Índia, Bangladesh, Dinamarca, Inglaterra, Austrália, Quênia, Haiti e África do Sul. Por enquanto, são 50 casos nacionais e 50 internacionais.

Uma das iniciativas registradas e que vai estar no app é queniana e se chama Child Count+. A plataforma, gratuita e aberta, permite que agentes de saúde levantem dados e usem mensagem de celular no combate a doenças mais frequentes em crianças de até 5 anos de idade, como malária e desnutrição. “Essa diversidade é importante para reforçar que a inovação é possível nos mais diferentes contextos. Além disso, muitos problemas locais se repetem pelo mundo e, quanto mais amostras nós apresentarmos, maior a chance de outros gestores se identificarem”, afirma Vivian Costa, responsável pelo conteúdo do portal.

Início do Tellus

A intenção de dar visibilidade e disponibilizar informações sobre as experiências, diz o instituto, é criar um ambiente de estímulos positivos para a inovação e “oxigenar os pulmões do governo”. De acordo com Marina Amaral, sócia-fundadora do Tellus, o instituto tem em seu DNA a preocupação de trabalhar com o foco em governos. “Parece que sempre se estão buscando outras vias, evitando o governo, mas, na verdade, o governo tem um potencial transformador enorme. Por que não aproveitar isso?”, pergunta Marina, que se reuniu com três colegas que conheceu durante a faculdade – Germano Guimarães, Felipe Salto e Emygdio Neto – para fundar a instituição.

Assim, conta Marina, o Tellus trabalha com organizações públicas ajudando a desenhar e implementar serviços centrados no cidadão. Para isso, usa alguns princípios relacionados à inovação no serviço público, entre eles questionar e refletir sobre paradigmas porque os problemas são crescentemente mais complexos; promover espaços de co-criação, quebrando o modelo atual em que as ações públicas costumam ser feitas de cima para baixo sem envolver os atores locais; manter o foco no ser humano, entendendo suas necessidades para desenvolver um serviço específico; e testar em projetos pequenos e só depois dar escala ao experimento.

A partir desses pilares, o instituto vem promovendo inovações e estimulando pessoas a inserirem casos concretos no site. Com os dados iniciais enviados pelos leitores, a equipe do Tellus vai atrás e completa as informações que estiverem faltando para inspirar gestores. “O governo tem muita fumaça. Tem muita coisa que se diz que é legal, mas quando você vê, não é consistente. O Tellus reúne muitas histórias, pois a gente se lastreia nesse discurso de que é possível transformar o governo com soluções muito concretas. Nosso compromisso é mudar a vida das pessoas”, afirma Marina.

Fonte: http://porvir.org

 

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